A guerra que se trava nos jornais
Há uma guerra dentro da guerra. Por baixo do cessar-fogo entre Washington e Teerão trava-se um conflito paralelo, silencioso na forma e devastador na substância, entre os Estados Unidos e Israel. As armas são fugas de informação. Entre Março e Julho contam-se oito: seis com origem em responsáveis americanos, duas contra-fugas israelitas. A assimetria é o primeiro dado. Não é o mais importante.
Em Março, o Wall Street Journal revela que Israel mantinha os negociadores iranianos, Araghchi e Ghalibaf, numa lista de alvos. Em Junho, o Pentágono eleva a espionagem israelita ao nível de ameaça reservado a Estados adversários; os alvos eram os arquitectos americanos da negociação com o Irão. Semanas depois, o Washington Post publica a avaliação de que Netanyahu tomará medidas para minar o acordo. No início de Julho, o New York Times conta que Israel planeou assassinar os negociadores depois do cessar-fogo – o avião de Ghalibaf aterrou de emergência com dois caças........
