A exposição da Europa ao “Choque de Ormuz”
A exposição da Europa ao atual encerramento pelo Irão do Estreito de Ormuz (“Choque de Ormuz”) é significativa, principalmente porque atinge o cerne do “novo” modelo de segurança energética que o continente adotou após se afastar do gás russo.
Embora a Europa obtenha apenas cerca de 4% a 5% do seu crude diretamente do Golfo Pérsico, a sua dependência da região para o Gás Natural Liquefeito (GNL) criou uma “fragilidade de descarbonização”. Em abril de 2026, a instabilidade gerada pelo “Choque de Ormuz” afeta gravemente os cidadãos e as empresas europeus de várias formas.
1. A “Armadilha do GNL”
Antes de 2022, muitos países europeus, dos quais merece destaque a Alemanha, encerraram centrais a carvão e nucleares e apostaram no gás natural como principal recurso energético não-intermitente para a sua transição energética.
Desde a crise energética de 2022, a Europa tem procurado substituir gradualmente o gás estável dos gasodutos russos por GNL negociado globalmente.
O fator Catar: cerca de 20% do GNL global passa por Ormuz, sendo o Qatar um dos principais fornecedores da Europa (Alemanha, Itália e Bélgica, especificamente).
O fator Catar: cerca de 20% do GNL global passa por Ormuz, sendo o Qatar um dos principais fornecedores da Europa (Alemanha, Itália e Bélgica, especificamente).
Contágio de preços: mesmo que muitos países da Europa – como Portugal – obtenham gás da Noruega, da África Ocidental ou dos EUA, a perda do abastecimento do Médio Oriente para a Ásia cria uma guerra de licitações global. Os preços de referência europeus (TTF) já........
