A Europa deve seguir o modelo de difusão de IA da China
O debate global sobre a Inteligência Artificial (IA) tem sido dominado por uma narrativa de “corrida armamentista” focada na fronteira tecnológica.
Os EUA e Silicon Valley medem o sucesso pelo tamanho dos modelos de linguagem, pelo número de parâmetros e pela capacidade computacional de vanguarda (frontier AI), em busca da IA Geral (AGI). De acordo com dados recentes (como o AI Index de Stanford de 2026), as empresas norte-americanas (OpenAI, Anthropic, Google) mantêm uma liderança estreita no desenvolvimento de modelos de fronteira puros e no controlo dos chips semicondutores mais avançados.
No entanto, a China está a desenhar silenciosamente uma estratégia alternativa: em vez de competir exclusivamente pelo modelo generativo mais avançado, Pequim está a posicionar a IA como um insumo básico de produção, focando-se na adoção e difusão massiva da tecnologia no tecido industrial, na logística e na distribuição.
Em vez de tentar replicar cegamente o modelo de computação massiva dos EUA sob severas restrições de chips, o objetivo da China é fazer a IA evoluir de modelos básicos de propósito geral para modelos especializados específicos da indústria, com uma cada vez mais profunda integração com a economia real. Para o efeito, as empresas chinesas adotaram estratégias de engenharia altamente eficientes. O lançamento de modelos de código aberto ou pesos abertos (open-weight), como os da DeepSeek, demonstra que as empresas chinesas conseguem extrair altíssimo desempenho otimizando o software com hardware menos potente ou chips de gerações anteriores.
Para a União Europeia (UE), que se encontra historicamente num limbo entre a inovação norte-americana e a escala asiática – frequentemente sobrecarregada pelo peso da sua própria arquitetura regulatória –, a abordagem chinesa não é apenas uma alternativa viável; é o único caminho pragmático para a sua relevância económica no século XXI.
1. O modelo chinês – foco na economia real e na indústria
A estratégia industrial de Pequim – consolidada nas diretrizes do 15.º Plano Quinquenal (2026–2030) e em iniciativas como o plano “AI ” – visa tirar a tecnologia dos laboratórios e colocá-la diretamente no chão de fábrica e nos serviços:
automação e manufatura avançada: o foco governamental está em subsidiar e criar incentivos fiscais para que indústrias tradicionais e de alta tecnologia (robótica, veículos e baterias elétricos, manufatura avançada) integrem IA nos seus processos de produção;
automação e manufatura avançada: o foco governamental está em subsidiar e criar incentivos fiscais para que indústrias tradicionais e de alta tecnologia (robótica, veículos e baterias elétricos, manufatura avançada) integrem IA nos seus processos de produção;
modelos especializados: dada a restrição de acesso a chips avançados, há um forte movimento em direção ao desenvolvimento de modelos menores, IAs altamente especializadas por setor económico (industry-specific models), em vez de se focar apenas em gigantescas IAs generativas de propósito geral.
modelos especializados: dada a restrição de acesso a chips avançados, há um forte movimento em direção ao desenvolvimento de modelos menores, IAs altamente especializadas por setor económico (industry-specific models), em vez de se focar apenas em gigantescas IAs generativas de propósito geral.
A verdadeira aposta chinesa é transformar a IA num serviço público e numa ferramenta de produtividade industrial generalizada. Se essa estratégia de difusão massiva for........
