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Para acabar com o cinema

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22.05.2026

Retomo alguns números do cinema português em 2025 (aqui citados num texto publicado há uma semana). Assim, em 2025 chegaram às salas 58 títulos de produção portuguesa, incluindo os que nasceram de alguma colaboração com entidades estrangeiras: 52 foram vistos por menos de 5000 espectadores; 25 não atingiram o patamar dos 1000 espectadores, 14 ficaram abaixo dos 500. 

Como lidar com esta catástrofe? Um vício antigo leva a que continuem a circular as ideias (ou a falta delas) segundo as quais o cinema português deveria optar entre ser “artístico” ou “comercial” — como se o mais comercial dos cineastas (Alfred Hitchcock) não fosse um dos génios absolutos da história do cinema... 

O que se passou é bem diferente: deixou de haver, se é que alguma vez existiu, um público específico para o cinema português. Esta afirmação carece, aliás, de um complemento mais drástico: num tecido cultural em que telenovelas, Reality TV e futebol formaram um outro público (dominante), o que está a acontecer é o desmantelamento do público regular de cinema — de todo o cinema, incluindo a........

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