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A economia tudo condiciona, mas não é tudo

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10.09.2026

Um dos paradoxos mais intrigantes dos tempos atuais diz respeito ao papel da economia nas escolhas eleitorais e na política em geral. A economia já não explica o comportamento político atual, mas explica a origem das condições que tornaram esse comportamento possível. Este é, provavelmente, o paradoxo central do nosso tempo.

Por um lado, a economia continua a ser um dos fatores mais importantes no comportamento eleitoral. Os eleitores tendem a recompensar governos em períodos de crescimento económico e a castigá-los quando indicadores simples, que qualquer pessoa pode avaliar, apontam em sentido contrário, como a taxa de desemprego, a inflação, os custos da habitação ou os preços dos combustíveis e dos bens essenciais. A frase “It’s the economy, stupid!” (É a economia, estúpido!), que marcou a campanha presidencial de 1992 nos Estados Unidos, sintetiza esta lógica que dominou a política durante décadas.

Por outro, a crise financeira de 2008 e os desenvolvimentos posteriores alteraram profundamente este quadro. Ganharam força as identidades culturais e territoriais, os valores morais e religiosos, as perceções de justiça, as atitudes face à globalização, as migrações e as mudanças sociais. Há cada vez mais fenómenos........

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