A mão atrás do arbusto em Ceuta
Entre os vários países europeus que se opuseram à intervenção militar dos Estados Unidos da América e de Israel no Irão, Espanha foi, sem dúvida, o mais veemente. A violação do Direito Internacional e o ataque ao multilateralismo exigiam um sonoro ‘não à guerra’.
Na verdade, a defesa do Direito Internacional escondeu uma bravata demagógica com escassos efeitos práticos, cujo único propósito foi polarizar o eleitorado espanhol, à época com importantes eleições regionais em curso, vistas como a antecâmara das legislativas previstas para 2027.
Subordinar a política externa do Estado aos interesses do partido tem custos. Desde logo porque Washington e Telavive não perderão a oportunidade de apresentar a factura.
De acordo com vários apoiantes de Sánchez dentro e fora de Espanha, a entrada caótica de 60.000 imigrantes em Ceuta na passada quinta-feira é o preço a pagar. A crise migratória resumir-se-á a um ajuste de contas.
É evidente que o ‘não à guerra’ de Sánchez torna........
