A Europa não se salva apenas com armas
Há poucos dias, numa fábrica portuguesa, fiquei parado diante de uma peça metálica que quase ninguém notaria.
Não tinha brilho. Não tinha marca. Não tinha discurso. Era apenas uma peça técnica, de precisão, feita para integrar um equipamento maior. No entanto, se falhasse, uma máquina parava, uma entrega atrasava, um contrato podia perder-se.
Foi ali que percebi que a discussão europeia sobre segurança talvez esteja a começar no sítio errado.
A Europa fala hoje de defesa, ameaças e novas metas de investimento. Portugal já acelerou o seu esforço: em 2024, a despesa estava perto de 1,58% do PIB; em 2025, chegou aos 2%, cerca de 6,12 mil milhões de euros. A NATO aponta agora para 5% até 2035, somando defesa direta e segurança alargada. A União Europeia prepara mecanismos para mobilizar centenas de milhares de milhões.
Os números são enormes. Mas a pergunta essencial é económica: que parte desse dinheiro fica a criar capacidade nos países?
Portugal não pode........
