menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Pequim, Silicon Valley e a cimeira de todas as decisões

9 0
previous day

Donald Trump chega hoje a Pequim para um encontro com Xi Jinping que está longe de ser apenas mais uma cimeira bilateral entre grandes potências. O que começa hoje pode revelar-se uma das reuniões mais consequentes deste ano para a estabilidade internacional.

Porque, desta vez, tudo parece estar em cima da mesa.

Taiwan. O Irão. Segurança energética. Cadeias críticas de abastecimento. Semicondutores. Terras raras. Inteligência artificial. Comércio estratégico. Estabilidade global.

E esse é, desde logo, o primeiro sinal de que esta não é uma visita convencional. Não se trata de uma cimeira de reconciliação. Trata-se de gestão pragmática da rivalidade entre as duas potências que continuam a definir o centro de gravidade do sistema internacional.

Mas há um segundo elemento particularmente revelador.

Trump não viaja sozinho.

Na sua comitiva seguem alguns dos nomes mais poderosos do capitalismo tecnológico e industrial americano. E esse detalhe diz-nos talvez mais sobre a natureza do poder contemporâneo do que qualquer comunicado diplomático.

Durante décadas, aprendemos a interpretar a geopolítica através de categorias clássicas: Estados, diplomacia, alianças militares, equilíbrio de poder, chancelerias. Tudo isso continua relevante. Mas já não basta.

O poder continua a ser estatal. Mas deixou de ser exclusivamente estatal.

A visita a Pequim confirma uma transformação estrutural que muitos ainda hesitam em reconhecer: no século XXI, soberania também se projeta através de ecossistemas tecnológicos, cadeias industriais, capacidade computacional, plataformas digitais e infraestruturas privadas críticas.

Trump não leva apenas diplomatas.

Leva a infraestrutura privada do poder americano.

E essa talvez seja a mensagem mais importante desta visita.

Hoje, poder estratégico não se mede apenas em capacidade militar convencional. Mede-se em cloud. Mede-se em semicondutores. Mede-se em inteligência artificial. Mede-se em dados. Mede-se em capacidade industrial. Mede-se na capacidade de definir standards tecnológicos globais.

Quem controla arquitetura digital controla influência. Quem domina chips condiciona soberania. Quem lidera inteligência artificial influencia segurança, economia, defesa e informação.

A distinção clássica entre poder público e poder privado tornou-se insuficiente para explicar a........

© Diário de Notícias