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A passagem do risco à confrontação: a nova equação estratégica do poder

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02.06.2026

Durante décadas, o sistema internacional viveu sob uma espécie de equilíbrio paradoxal: as grandes potências possuíam capacidades de destruição massiva, instrumentos de pressão económica, mecanismos de guerra híbrida e tecnologias de disrupção sistémica, mas coexistiam dentro de uma lógica relativamente estável de contenção do risco.

A capacidade existia. O que prevalecia era a gestão dessa capacidade.

É precisamente aqui que reside uma das maiores transformações estratégicas da última década e, em particular, da era Trump. Não foi a criação de novas ameaças que alterou estruturalmente o sistema internacional. Muitas delas já existiam há muito tempo. O que mudou foi a forma de lidar com elas.

Donald Trump não criou esta transformação. A ascensão da China, o regresso da competição entre grandes potências, a erosão progressiva da ordem liberal internacional e as vulnerabilidades geradas pela globalização já vinham alterando o sistema internacional há vários anos. No entanto, foi provavelmente o primeiro líder ocidental a assumir explicitamente essa mudança e a agir politicamente como se a competição sistémica tivesse regressado como condição estrutural das relações internacionais.

Mais do que introduzir novas ameaças, Trump tornou legítima uma nova forma de lidar com elas: a........

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