Elogio do empate
Alguém diz, com o orgulho de quem traz uma notícia da família: “Empatámos com a Espanha.” Cinco minutos depois, outro acrescenta: “E também com o Uruguai.” E, de repente, já não estamos apenas a falar de futebol. Estamos a falar de respeito e da teimosia atlântica que faz um arquipélago acreditar que pode enfrentar qualquer mar.
Em muitos lugares, um empate sabe a sopa sem sal. Em Cabo Verde, contra seleções habituadas a sentarem-se à cabeceira da mesa, sabe a cachupa em dia de festa. A celebração de noventa minutos em que o mais cotado perdeu autoridade. E isso, convenhamos, é uma cena bonita de se ver. Sobretudo porque a hierarquia costuma entrar em campo muito convencida de si própria.
Quando Cabo Verde marcou ao Uruguai, a alegria não coube nos corpos de Kevin Pina e Hélio Varela. Pina abriu o marcador com........
