O (mau) Estado da Nação
Todos os anos, em meados de julho, ocorre o debate do Estado da Nação na Assembleia da República (AR). Escrevo estas linhas antes da realização do mesmo, embora o artigo seja publicado já depois.
Portugal está pior e a vida dos portugueses também.
O custo de vida no nosso país está cada vez mais elevado, sobretudo tendo em conta os valores dos salários. Após o pico inflacionista de 2022 a inflação baixou, mas viver em Portugal está hoje mais caro do que nunca, muito por causa da crise da habitação, mas também devido ao aumento do preço dos combustíveis (que o primeiro-ministro recentemente afirmou não saber explicar) e à eliminação de um conjunto de “almofadas” que existiram antes, tais como, por exemplo, a introdução do IVA Zero no cabaz alimentar.
Os números são muito claros: segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), viver em Lisboa custa cerca de 1600€ por mês, mas o rendimento médio mensal líquido declarado é de 1375€ por contribuinte (Pordata). E é neste contexto que Carlos Moedas decidiu eliminar, para o ano letivo que começa em setembro, a comparticipação de 50% do preço das refeições escolares para os alunos em geral (ao contrário do que tinha feito em 2025, ano de eleições autárquicas, numa prova evidente do mais básico eleitoralismo).
A habitação contribui com a maior fatia para este aumento do custo de vida, uma vez que, por exemplo em Lisboa, os cidadãos têm de afetar, em média, 116% do seu salário para pagar a casa, tornando a capital portuguesa a cidade da União Europeia (UE) onde o custo da habitação consome a maior parcela........
