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“Pobreza e democracia”

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29.05.2026

Nesta quinta feira, passam-se já 100 anos sobre uma das datas relevantes na nossa história: o 28 de maio de 1926. E é quase certo que a generalidade dos mais jovens desconhece a data, e porque foi durante tanto tempo assinalada. Por meados do séc. XIX, a industrialização em Portugal era ainda muito incipiente, a rede de comunicações quase inexistente, e a população crescia muito pouco. A urbanização tinha estagnado. O país tinha cerca de 4 milhões de habitantes, e pode dizer-se, apenas duas cidades, Lisboa com 300.000 habitantes e o Porto com 150.000 (1890). Entre 1855 e 1911, a emigração foi sempre aumentando especialmente para o Brasil. O magnífico trabalho de Maria Lamas sobre “As Mulheres do Meu País” revela bem a dureza da vida das famílias que ficavam. Para trás. Se por um lado, as remessas foram permitindo reforçar as contas do Estado, é certo também que a conjugação de todos estes fatores não terá contribuído para a criação de um mercado interno autónomo, forte, capaz de pressionar de forma efetiva o desenvolvimento da indústria a larga escala. Não parecia haver também lugar a transferências de mão de obra significativas entre os diversos setores, que o nível educacional, muito baixo, dificultava. Fátima Bonifácio (1991) conta que “os patrões da nova indústria portuguesa, se bem que em pequeno número, ou eram políticos eles próprios ou eram amigos dos políticos. A fragilidade dos seus empreendimentos — fragilidade técnica, exiguidade do mercado, escassez de experiência— impelia-os a tudo fazerem para minimizar os riscos”. Explicações........

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