“Celebrar e preservar a memória da...”
O início de março traz consigo a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Em 1975, as Nações Unidas adotaram o dia 8 como o dia de uma celebração que se expressava desde o início do século XX, e que pretendia alertar para a igualdade de direitos das mulheres. Este é ainda um dia que deve ser celebrado, enquanto houver sociedades onde ainda não há igualdade de género e a mulher é vista com inferioridade. Todos os anos o município de Braga tem vindo a celebrar este dia, com diversas iniciativas e inúmeros parceiros. Contudo, é fundamental que este dia seja celebrado com consciência daquilo que realmente significa e que se afastem as celebrações mais comerciais, para que não se perca a sua intenção inicial. A JovemCoop, enquanto uma associação ativa na valorização e defesa do património, vem, mais uma vez, desafiar o município a celebrar este dia com consciência e sugerir que se pense atempadamente nestas celebrações, para que possam ficar marcadas naquele que é um dos locais em Braga para a história das mulheres desta cidade, falamos do Recolhimento de Santa Maria Madalena, mais conhecido como Recolhimento das Convertidas. Em Novembro de 2025 a CMB visitou o interior do imóvel, e o edil da cidade afirmou que: “O essencial é salvaguardar o edifício, a sua memória e o seu simbolismo. Importa esclarecer que solicitámos as chaves para podermos intervir, mesmo não sendo ainda uma obrigação nossa. Queremos garantir que a cidade, os Bracarenses e todos os que nos visitam possam encontrar aqui um espaço que acrescente valor à experiência de viver ou descobrir Braga.”. Cerca de 4 meses volvidos, percebemos que ainda nada foi feito. Passamos por um período de chuva bastante atípico e o monumento classificado como Imóvel de Interesse Público desde 2012, não teve qualquer tipo de intervenção para, pelo menos,abrandar o avançado estado de degradação. O local tem janelas com vidros partidos, e sofre de inúmeras infiltrações e precisa de intervenções urgentes, reconhecidas pela CMB na visita de novembro, onde o presidente da câmara se fez acompanhar da vereadora da cultura e também de equipas de técnicos municipais. Falamos de um imóvel classificado, que é considerado um ex-libris do barroco bracarense. Mandado construir pelo Arcebispo de Braga D. Rodrigo de Moura Telles em 1720, este local pretendia albergar mulheres de “má vida/pecadoras” que desejassem converter-se a Deus. Com mais de trezentos anos de história, este monumento tem os seus últimos anos de história marcados por abandono e desinteresse. Sofreu danos com a construção de um hotel mesmo na lateral da capela, onde nada foi feito pela sua conservação e preservação, muito pelo contrário. Sabemos que, na altura da inauguração do hotel, uma das fachadas deste monumento foi pintada, mas além de não ter sido na totalidade do edifício, não foi propriamente um movimento de restauro e preservação, mas antes um movimento de pura estética onde o único beneficiado foi, mais uma vez, a unidade hoteleira. O Recolhimento das Convertidas já foi alvo de várias ideias para a sua reconstrução e valorização, falou-se em ser pousada da juventude, e mais recentemente a ASPA propôs ser criada a Casa da Memória da Mulher. Este projeto inclui não só um espaço dedicado à memória do recolhimento, e portanto às mulheres que nele viviam, mas também prevê um espaço para a investigação, estudo e divulgação da condição feminina em Braga, Portugal e no Mundo, aproximando assim o recolhimento da comunidade académica. O projeto prevê ainda que existam espaços abertos à comunidade que sirvam para fazer diversas iniciativas. Este seria um projeto que permitiria a conservação e valorização do espaço, assim como iria mantê-lo ligado à comunidade. Por esse motivo, a JovemCoop é também uma das entidades que apoia esta iniciativa. Imagine Braga celebrar o dia da mulher com a reabertura do Recolhimento das Convertidas? Não seria uma forma honrosa de comemorar este dia?
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