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“O que significa “ser...”

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06.06.2026

Celebrar o Dia de Portugal é, por imperativo histórico, um exercício de equilibrismo identitário. Convidando-nos todos os anos, a revisitar a história, a analisar o presente e a refletir sobre o nosso futuro coletivo, num misto de memória, orgulho e interrogação. Trilogia que associa a identidade nacional à figura de um poeta e à experiência da diáspora, celebrando o País, Luís de Camões e as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo. Em que Portugal se reconhece, simultaneamente, na palavra, na viagem e na permanente procura de si próprio. O significado desta data nunca foi estático. Conheceu várias metamorfoses ao longo da história. Desde 1880, em que rei D. Luís I declarou a data como Dia de Festa Nacional, para celebrar o tricentenário da morte de Luís de Camões, e que o Estado Novo transformou no “Dia da Raça”. Convertendo a herança camoniana num instrumento de nacionalismo isolacionista. Tendo sido, posteriormente, resgatada pela democracia, a partir de 1974, e ampliado para incluir as Comunidades Portuguesas, em reconhecimento da sua importância na construção da identidade nacional. Uma mudança que representou muito mais do que uma alteração simbólica. Significou a passagem de uma conceção territorial e imperial da pátria para uma ideia de pertença assente numa comunidade cultural, afetiva e linguística dispersa pelo mundo. Todavia, esta visão da portugalidade global encerra uma ironia difícil de ignorar. Eduardo Lourenço, um dos mais ilustres intérpretes da consciência nacional, desmontou os mitos que frequentemente utilizamos para mascarar as nossas fragilidades estruturais. Sobre a emigração, escreveu com particular lucidez que, “Aventura de pobre (…) é sempre a dos que........

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