“Eleições Presidenciais: um teste...”
Portugal atravessa um momento político excecional e de grande incerteza internacional. A participação política deixou de ser mera rotina institucional, para se tornar um verdadeiro teste à nossa maturidade democrática. Quarenta anos depois, regressamos a uma segunda volta presidencial — não por acidente nem por anomalia eleitoral, — mas porque o país mudou. Está hoje mais fragmentado, mais volátil, menos ideológico e mais exigente.
Estamos perante um novo paradigma político, fundado nos resultados da primeira volta, na reconfiguração dos alinhamentos ideológicos e partidários. Na geografia e demografia do voto. Nas perceções mediáticas nacionais e internacionais. E nas implicações do resultado para o equilíbrio interno e internacional. Esta eleição não é apenas o confronto entre dois candidatos; é, sobretudo, uma escolha entre dois modelos de República: entre uma presidência concebida como magistratura de moderação e uma presidência entendida como acelerador de conflitos ou palco de agitação e ajuste de contas com o regime democrático.
Nada estará decidido até à contagem do último voto. E “não são as sondagens que ganham eleições”. Uma incerteza que deve ser lida como sinal de vitalidade democrática. A segunda volta revela um país menos fiel aos partidos e mais atento ao perfil dos candidatos, num contexto de menor previsibilidade que aumenta o peso de cada voto. Um país marcado por polarizações territoriais entre áreas metropolitanas, as centralidades urbanas intermédias, e as periferias que se sentem abandonadas, agravadas pelas clivagens geracionais.
Como assinalou Pedro Gomes Sanches, no Público,........
