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“Do canto negro da história”

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08.04.2026

Facilmente fazemos ideias erradas sobre nós, sobre os outros, sobre os eventos e os processos históricos, sobre o mundo natural, quando por delírio de sabedoria reduzimos sequências longas ao que captamos, interpretando-o de seguida de forma enviesada, e a este propósito não deixo de recordar que o Sahara já foi uma savana e que o avanço do deserto não se deveu a asneira humana. Não que em sua estupidez o Homem não tenha a capacidade de tudo arruinar em redor. Esgotamos recursos naturais, se os exploramos desabridamente, em função do maior lucro no menor espaço de tempo; esgotamos recursos psíquicos, se dia sobre dia não recuperamos do desgaste da véspera, se não espanamos a ansiedade, o que nos torna vulneráveis a agentes nocivos, o que nos torna menos confiantes em relação ao desfecho dos desafios do quotidiano. Dias vivemos em que derrubamos vida social à nossa volta como quem abate árvores por fúria de vistas curtas. Lembro-me de ouvir falar da destruição de paisagem e........

© Correio do Minho