“Protopia…”
Nos dias turbulentos e perturbadores que correm, nomeadamente a nível mundial, por força da errância, lassidão, prepotência e outros mais de uns perante tantos outros, há palavras e temas que, no contexto nacional, se repetem e ecoam em réplica de tempos passados, assumindo (novamente) atenção e protagonismo, de alguma forma, quase como se nunca tivessem deixado de estar “em palco e em cena”. Por força de factores naturais como as tempestades, de reorganização institucional e estadual como as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), de inerência social e cultural como a de- mografia, resultado de políticas sectoriais com a saúde e a educação, ou ainda reflexo de um ordenamento e estruturação territorial permanentemente centralizado, a palavra reforma entoa no espaço público, assu- mindo visibilidade acrescida, expressão e matizes que ora se confirmam iguais no tempo, ora se mostram coerentes com o pensamento de tantos, ora de modificam e transfiguram para outros tantos, num processo que tem tanto de fixo e inamovível – o tema e a necessidade em si mesmos: dito de forma simplificada, “a reforma do país” – num resultado que transmite a sensação de, afinal, se tratar de “mais do mesmo” e, assim, não se esperar mais do que aquilo que já temos: tergiversar, adiar, procrastinar, polemizar, divergir… Na verdade, de tanto se banalizar a palavra sem a correspondente acção, corre-se o risco de desvalorização e descrédito e, como tal, de se perder a relevância e atenção de algo central para a vida de todos nós: mudar, dar nova e melhor forma ao que sustenta e suporta a vida de todos nós. Aos vários níveis governativos e de decisão política, ouvimos (novamente) “falar” de regionalização e, consequentemente, de descentralização, desconcentração, delegação; ouvimos “falar” de refundação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, consequentemente, de parcerias público-privadas, gestão cooperativa, dotação orçamental; ouvimos “falar” de alterações laborais e, directamente, de direitos e deveres, salários e regalias, produtividade e rentabilidade; ao nível da protecção e prevenção civil, ouvimos “falar” de optimização e funcionamento e, assim, de convergência e recursos, planeamento e articulação. E assistimos a múltiplos comentários e perspectivas, propostas e críticas, desafios e objectivos. E ouvimos que “desta vez é que será” e que “a nossa é que tem verdadeiramente espírito reformador. Tudo o mais pode ser mais ou menos, ficará sempre aquém…” Seja como for, e pese toda a intencionalidade e todo o voluntarismo que possa assistir a cada uma destas realidades, esquece-se da essência do acto: reformar é voltar a dar forma, aperfeiçoando, melhorando, concertando, equilibrando. Implica diagnóstico e crítica, coragem e ambição. Afinal, para não ficar igual, para ficar melhor! Na verdade, e numa citação livre de autor desconhecido, implica “tudo fazer, com sabedoria, para servir e não para dominar”, na certeza de que, entre a utopia e a distopia tácita a esta frase, parece não existir lugar a meio termo, afigurando-se não se valorizar aquela que deve ser a receita para crescer e equilibrar, conviver e pacificar comunitariamente: sonhar e acreditar que é possível caminhar em conjunto, dialogar e concertar, construir e partilhar e, desta forma, por mais pequeno e pouco que seja, ficar mais próximo do sonho que nos alimenta: uma vida boa e plena para todos!
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