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“Entre ruído e vazio: a crise da...”

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04.03.2026

Há cidades onde o debate político é intenso, programático e transformador. E há outras onde a política se aproxima perigosamente de um palco de comentários permanentes. Em Braga, a sensação crescente não é a de ausência de crítica, mas a de escassez de alternativa. Revisitei por estes dias um filme de grandes memórias pessoais. Vi-o pela primeira vez com muitos daqueles com quem ainda hoje debato os problemas de Braga. A comparação pode parecer improvável, mas ajuda a iluminar o momento atual. Em O Grande Lebowski, dirigido pelos fabulosos irmãos Coen, o protagonista (“The Dude”) atravessa uma sucessão de conflitos, acusações e teorias conspirativas sem que nada resulte numa verdadeira mudança estrutural. Todos falam, todos protestam, todos dramatizam, mas, no fim, o mundo permanece essencialmente igual: a ação dissolve-se em ruído. Em Braga, parte significativa da contestação ao poder instituído tem sido protagonizada pelo movimento cívico Amar e Servir Braga. O seu aparecimento trouxe um sinal positivo: há cidadãos dispostos a intervir fora das estruturas partidárias tradicionais. Esse impulso renovador é, em si mesmo, um ganho democrático. Movimentos cívicos podem aproximar a política às pessoas, quebrar rotinas instaladas e introduzir novas linguagens. O problema não está na natureza cívica do projeto. Está na forma como essa intervenção se tem consolidado. Quando a ação política se concentra sobretudo nas redes sociais, na denúncia rápida e na exposição constante de falhas, corre-se o risco de reduzir a oposição a uma lógica reativa. Apontar problemas é essencial, mas governar, ou aspirar a governar, exige mais do que........

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