Do radar da multa à câmera de segurança: o foco vira a proteção
Paulo Guimarães — CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, formado em engenharia civil, especialista em gestão e normatização de trânsito
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Não são "radares". São câmeras de segurança. Por décadas, o Brasil se acostumou a chamar de "radar" os equipamentos eletrônicos utilizados para fiscalização de velocidade. O termo se popularizou, entrou no vocabulário e passou a representar, para boa parte da população, um símbolo de punição. Em muitos casos, virou quase um personagem do trânsito brasileiro: o "radar da multa", o equipamento que estaria ali apenas para penalizar condutores. Mas, talvez, tenha chegado a hora de revisarmos essa nomenclatura. Porque palavras importam.
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Quando insistimos em chamar esses equipamentos de "radares", reforçamos uma percepção limitada e distorcida sobre sua verdadeira função. O foco deixa de ser a preservação da vida e passa a ser apenas a punição. A tecnologia deixa de ser compreendida como instrumento de segurança e passa a ser vista como mecanismo arrecadatório. Criou-se, ao longo do tempo, uma narrativa simplista que reduz um instrumento de proteção........
