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Embaixo da minha rua corre um córrego de águas geladas

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26.08.2026

Eu nasci a quatro quadras acima do portão de ferro, no bairro Amambai. Desde então, as solas dos meus pés se tornaram vermelhas como a terra do barro de Campo Grande.

Dias desses, fiquei um bocado de tempo pensando com qual rua ou avenida da minha cidade mais me identifico.

A Lua ilumina o amor de quem abre a janela da alma.

Enquanto as pandorgas singram os céus...

Cheguei à conclusão que depende da fase da vida.

Atualmente, sou um senhor vivido (termo que uso para substituir o tenebroso "idoso") residente na região da vila Nasser. Assim, hoje a minha ligação mais forte é com a Tamandaré.

Voltando no tempo, quando criança, a Avenida Bandeirantes me embalou no colo por longo tempo, desde quando ainda era uma estrada comprida e nela nem existia asfalto.

Assim, tenho na infância definida a ligação inseparável com a   Bandeirantes.

Gosto de lembrar dos tempos de rapaz, quando as águas da chuva gotejavam rápidas, mas eu conseguia esgueirar o corpo e quase não me molhava, tempo bom no qual o amanhã era algo pouco palpável e nem mesmo as luzes do amanhecer podiam sussurrar como o futuro poderia ser.

Quando rapaz, jamais suspeitei que no futuro o centro da cidade estaria quase vazio, repleto de carros passando sem cessar, todos isolados em seus próprios mundos, acompanhando a vida passar com os olhos pregados a um aparelho de celular.

Como todos, também sou preso ao celular, mas de vez em quando, gosto de caminhar pelo centro abandonado da cidade à procura de um lugar que não existe mais. Nesse delírio, sem importar que me julguem um insano, encosto o carro na calçada, colo o corpo na lateral do meu carro e tento me ligar com a natureza e tudo que há em volta da........

© Campo Grande News