O Brasil decidiu enfrentar o trabalho sem vida fora dele
Nos dias 26 e 27 de maio, a Câmara dos Deputados deixou de discutir apenas uma mudança trabalhista. O que se viu em Brasília foi um confronto político, econômico e moral em torno do próprio conceito de vida humana numa sociedade que há décadas normalizou jornadas sufocantes como requisito de sobrevivência.
A aprovação da PEC que reduz gradualmente a jornada semanal e estabelece a transição da escala 6 x 1 para o modelo 5 x 2 rompeu uma blindagem histórica do Congresso Nacional. No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis contra apenas 22 contrários. No segundo turno, a proposta consolidou ampla maioria: 461 deputados votaram a favor e 19 contra. Os ausentes foram 18 na primeira votação e 33 na segunda. Houve uma obstrução. O texto seguirá agora para o Senado Federal.
Horas antes da votação em plenário, a comissão especial da Câmara já havia aprovado o parecer do relator, deputado Leo Prates, do Republicanos da Bahia, por 34 votos a 4. Apenas parlamentares do PL e do Novo votaram contra. O plenário também rejeitou um destaque apresentado pelo PL que tentava alterar o período de transição para a escala 5 x 2, mantendo intacto o texto elaborado pelo relator no início da semana.
O resultado revelou algo mais profundo que uma divergência legislativa. Escancarou um país dividido entre setores que defendem produtividade sustentável e grupos políticos ainda presos à lógica de que desgaste humano representa eficiência........
