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Com provas abundantes, Genocídio Armênio segue sem reconhecimento 111 anos

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27.04.2026

Minas Ayvazian não cabia em estatísticas. Durante décadas de convivência próxima, foi possível testemunhar nele — e em Siranoush Khanum, em Gharon e em sua amada Seda Ayvazian — algo que escapa aos registros formais da história: a expressão viva de um povo que sobreviveu a uma tentativa sistemática de apagamento. Eram armênios. E não apenas por origem, mas por consciência histórica, por memória de trabalho preservada, por uma forma de estar no mundo marcada por dignidade e uma surpreendente capacidade de amar a humanidade mesmo após ter sido alvo do pior que ela pode produzir. Não havia neles qualquer encenação da dor. Havia nobreza de caráter. Havia grandeza silenciosa. Havia um amor profundo pela espécie humana, mesmo quando a história lhes oferecera razões suficientes para o contrário.

Minas Ayvazian, Siranoush khanum, Gharon e sua amada Seda Ayvazian me mostraram como amar a humanidade a começar pelos armênios. Tenho imensa saudade deles. Mas eles vivem em sua nobre descendência e isso conforta meu coração.

Um assunto que sempre me apertou o peito foi o que sucedeu ao valoroso e doce povo armênio. Refiro-me ao genocídio Armênio, ao holocausto armênio onde os turcos assassinaram os armênios em massa, matando entre 1 milhão e 1.800.000 armênios entre os anos de 1915 e 1923. Às injustiças seguem até os dias atuais, pois é um crime que lesa humanidade em um nível jamais visto nas histórias das guerras e dos genocídios que ainda permanece sem o reconhecimento formal de grande número de nações.

Diversos países já emitiram seu posicionamento a respeito do reconhecimento do massacre ocorrido contra os armênios durante o período de 1915-1923 como genocídio. Nas últimas décadas, o Parlamento Europeu e os parlamentos internos do Chipre, Grécia, Itália, Vaticano, Rússia e Bélgica o fizeram. Em janeiro de 2001, o parlamento francês foi ainda além ao promulgar uma declaração reconhecendo o genocídio e contrariando as objeções do presidente e do primeiro-ministro – gerando tensão no relacionamento diplomático com a Turquia que, por sua longa e assídua defesa de que o genocídio nunca ocorrera, chamou seu embaixador e cancelou o um contrato com o país de 200 milhões de dólares para inteligência militar de satélites.

Em 2000, o presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Dennis Hastert, concordou em emitir uma declaração reconhecendo o genocídio armênio, mas depois da intervenção pessoal do então presidente Bill Clinton – que argumentou contrariamente, alegando que a declaração, uma vez emitida, “prejudicaria os interesses nacionais estadunidenses”. Neste sentido, a Casa Branca preferia utilizar a expressão “atrocidades cometidas contra os armênios” para evitar desconforto com a Turquia, importante aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Até maio de 2021, diversos países já emitiram a declaração de reconhecimento formal do genocídio armênio. Na Europa: França, Alemanha, Itália, Países Baixos; nas Américas: Canadá, Uruguai, Venezuela; Na Ásia e Oriente Médio: Rússia, Síria, Líbano.

O Brasil, por sua vez, jamais emitiu........

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