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Fidel e Che, amigos de sempre

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13.08.2026

Nos 100 anos do nascimento de Fidel Castro, lembro a sua amizade com Che Guevara. As linhas a seguir partem das declarações de Jon Lee Anderson à imprensa e da biografia que ele escreveu sobre Che.

Aqui, em uma entrevista publicada na Semana, da Colômbia, Jon Lee Anderson fala sobre a morte de Fidel Castro e de Che Guevara:

“O Che morreu jovem, no auge das ideias utópicas dos anos 60, que, até certo ponto, morreram com ele. Embora tenha havido outras lutas guerrilheiras depois disso, pouquíssimas chegaram ao poder. Fidel, por outro lado, acabou se revelando o Quixote, aquele que envelhece diante dos olhos de todos, mas que, obstinadamente, permanece no comando de um país que consegue se consolidar como revolucionário e socialista, apesar de tudo”.

Embora muitos tenham subestimado Fidel por ser idoso e ter ficado fora de cena nos últimos anos, é só agora que se pode reavaliar e reconhecer sua verdadeira importância. E sua importância histórica é enorme, pois foi ele mesmo quem inspirou o Che, convencendo-o a se tornar um revolucionário.

O grande ciclo de vida de Fidel é algo quase sem precedentes; é um retrato detalhado de um homem enciclopédico no que diz respeito à sua trajetória e atuação no cenário político mundial das últimas seis ou sete décadas.

Che Guevara e Fidel Castro se conheceram em 1955 por intermédio do irmão Raúl, na Cidade do México, no momento em que Fidel foi anistiado pelo ditador Batista, após ter ficado preso por dois anos devido à tentativa de golpe no quartel de Moncada. Nesse período, Raúl e outros membros de seu movimento 26 de Julho haviam criado uma rede de solidariedade no exílio. O jovem Ernesto Guevara, estudante de medicina, leitor recente, mas ávido, de Marx, havia chegado ao México frustrado com sua experiência na Guatemala. Lá, assim como outros jovens de esquerda de todo o hemisfério, esperava ser absorvido pela primeira revolução socialista da América Latina, a de Jacobo Arbenz, mas tudo desmoronou. Um regime de extrema-direita assumiu o poder e Ernesto fugiu para o México.

Eles se encontraram uma noite e Fidel convenceu o jovem Guevara da justiça de sua missão e o convidou a se juntar a ele como médico da expedição. A personalidade de Fidel o impressionou profundamente. Guevara já estava convencido de que na América Latina havia um grande mal, o capitalismo: injusto, desigual, feudal. E que as políticas capitalistas da época, que não eram nada bonitas, eram o veneno, a causa dos males endêmicos que transformavam os latino-americanos pobres daquela época em uma natureza de subespécie: desnutridos, baixinhos, com baixa expectativa de vida… Ele estava convencido de que a única solução era uma revolução radical. E procurava um homem forte. Pensava em ir para Paris. Se Fidel não tivesse aparecido, quem sabe, talvez tivesse acabado como mais um argentino passeando pela Europa e escrevendo poesia.

Fidel viu nele um jovem com um carisma especial. Ele não era extrovertido. Não era político, nem tático, nem diplomático. Era radical, mas com uma boa cabeça. Era visionário, ousado, temerário. Muito cedo, Fidel percebeu que Che não sentia medo. Ele percebia que aquele rapaz culto, muito versado, estaria disposto a se juntar a eles. Queria se dedicar a uma espécie de missão internacionalista. Fidel também. Antes de Moncada, em seu próprio país, ele havia se juntado a uma expedição frustrada contra Trujillo na........

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