O Brasil escondeu o Saeb para comemorar o Ideb
No dia 5 de agosto, o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciaram que o Brasil alcançou o maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da série histórica, iniciada em 2007. A divulgação destacou o índice consolidado, celebrado como evidência de avanço da educação básica. O que ficou ausente, entretanto, foi uma informação essencial para interpretar esse resultado: quanto desse crescimento decorreu da melhoria da aprendizagem medida pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e quanto foi consequência do aumento das taxas de aprovação. Esses dados não foram disponibilizados junto com a apresentação inicial dos resultados de cada unidade da federação.
A ausência dessas informações não significa que o Ideb seja um indicador sem utilidade. Ao contrário, trata-se de um importante instrumento de acompanhamento das políticas educacionais. O problema surge quando ele passa a ser apresentado isoladamente, como se fosse capaz de resumir, sozinho, a qualidade da educação brasileira. Embora seja um importante instrumento de monitoramento das políticas públicas, o Ideb não pode ser tomado como uma medida completa da qualidade da educação. O índice não considera aspectos fundamentais, como as condições de infraestrutura das escolas, a valorização e a remuneração dos professores, a formação docente, a disponibilidade de recursos pedagógicos, nem as desigualdades socioeconômicas que influenciam diretamente o desempenho dos estudantes. Por isso, sua........
