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Com escândalos repetidos na produção de alimentos, a Nestlé está de volta aos holofotes

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14.02.2026

Por Sergio Ferrari - O caso da contaminação pela toxina cereulide gerou uma cascata de denúncias em nível internacional após a organização de proteção ao consumidor Foodwatch revelar, em meados de janeiro, que cerca de dez fábricas da multinacional Nestlé na Holanda, na França, na Espanha, na Suíça e na Alemanha haviam usado óleo de amendoim contaminado com a bactéria Bacillus cereus na fabricação de fórmulas lácteas para bebês. Esse bacilo, que causa diarreia, vômito e outros problemas graves em bebês, contaminou um óleo rico em ácido araquidônico (fonte de ômega-6) processado na China pela Cabio Biotech. Além dos produtos comercializados pela Nestlé (Guigoz, Nidal), também foram afetados os da Danone (Blédilait, Gallia), da Lactalis (Picot), da Vitagermine (Babybio) e da Popote, entre outros. No total, cerca de oitocentos produtos em mais de sessenta países, em sua maioria europeus, embora também estejam na lista sete países da América Latina (Argentina, Chile, Brasil, México, Peru, Paraguai e Uruguai).O impacto midiático dessa revelação foi sentido imediatamente. Na França, a própria Foodwatch está promovendo uma campanha para denunciar e exigir o rápido esclarecimento dos fatos. Mas, isso é só um lado da moeda. O outro, e certamente o que teve as maiores consequências, tem a ver com a lentidão com que a Nestlé, sediada em Vevey, Suíça, decidiu retirar sua fórmula do mercado. Segundo Foodwatch, "a Nestlé sabia da contaminação pelo menos desde o início de dezembro, inclusive, tendo informado as autoridades holandesas no dia 9 daquele mês". E na Áustria, por volta do Natal, produtos já haviam sido retirados “discretamente” das prateleiras, sem que os consumidores fosse informados. A retirada massiva da fórmula só começou em janeiro deste ano (https://www.nestle.com/ask-nestle/products-brands/answers/infant-formula-product-advisory)."Não repassar imediatamente para os consumidores informações sobre produtos sensíveis para bebês é inaceitável", argumentou criticamente Foodwatch. E explicou que esses são fatos "particularmente graves" porque essas fórmulas contaminadas por cereulide destinam-se, principalmente, a crianças com menos de seis meses de idade — em alguns casos, prematuras — e, portanto, particularmente vulneráveis. Foodwatch critica a Nestlé e outros fabricantes do setor por demorarem demais entre os primeiros alertas emitidos e a decisão de retirar seus produtos das prateleiras. (https://www.foodwatch.org/fr/accueil).

Processo em andamento

De acordo com um artigo recente no diário suíço Le Temps, Foodwatch acompanhou de perto a situação de nove bebês doentes em oito famílias em diferentes partes da França. Essas crianças........

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