menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Vidas trans e a meia-noite que se aproxima

32 0
17.06.2026

Em 27 de janeiro de 2026, o Relógio do Apocalipse foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite — o mais próximo que esteve desde que cientistas do Projeto Manhattan o criaram, em 1947, como metáfora do risco de destruição civilizatória. Originalmente restrito à ameaça nuclear, o relógio passou a incluir a mudança climática em 2007 e hoje considera também biotecnologia, inteligência artificial e desinformação. A meia-noite representa o colapso da civilização humana. Os minutos e segundos que faltam para ela indicam o grau de risco global avaliado anualmente por um conselho científico independente.

Na noite desta segunda-feira, 16 de junho de 2026, o Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ) e o Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR) ofereceram outra leitura possível desse mesmo ponteiro. No encontro "Vidas trans e justiça social", parte do programa Observatório em Diálogo, a socióloga australiana Raewyn Connell e a pesquisadora e comunicadora Rita von Hunty colocaram em perspectiva o que significa viver trans em um mundo que se aproxima, em mais de um sentido, da meia-noite.

Duas justiças, uma urgência

Raewyn Connell percorreu seis continentes documentando formas de vida e encontrou, nas diferenças, uma constante: marginalidade, precarização e vulnerabilização........

© Brasil 247