O diploma diz autoridade. O preconceito diz: “não parece”
Na noite de sábado (12), em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, uma ocorrência que começou com uma reclamação sobre o volume do som de um veículo terminou com uma mulher derrubada durante uma abordagem da Polícia Militar, atingida por chutes e por disparos de bala de borracha. Fernanda Klitzke, advogada e segunda suplente na chapa de Décio Lima ao Senado, aparece nas imagens do episódio sendo imobilizada por policiais. A Corregedoria da PM deverá apurar as circunstâncias da ocorrência.
Não cabe a uma coluna antecipar responsabilidades que precisam ser investigadas. Mas as imagens permitem formular uma pergunta que ultrapassa aquele epis-Ódio (como trago em meu livro de 2026) o que acontece quando uma mulher ocupa uma posição de autoridade, mas sua autoridade não é reconhecida por quem está diante dela?
Fernanda estava ali como advogada e também como uma mulher que ocupa um lugar político institucional. Essa dimensão importa porque existe uma diferença profunda entre possuir uma prerrogativa e ter sua prerrogativa reconhecida.
É nessa fissura que a desigualdade aparece. Durante séculos, nossas instituições foram organizadas a partir de um sujeito imaginado como naturalmente autorizado a saber, decidir, representar e comandar, homem, branco, cisgênero e pertencente às elites. Outros corpos puderam, progressivamente, entrar nesses espaços. O que ainda não foi plenamente superado é a resistência em reconhecê-los como autoridades quando efetivamente ocupam esses lugares.
Uma coisa é chegar ao........
