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O tempo como arma: Nunes Marques, André Mendonça e o golpe de captura algorítmica da Justiça Eleitoral

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23.10.2026

Uma denúncia urgente ao campo democrático brasileiro sobre o risco de captura do processo eleitoral pelo poder das plataformas e pela lentidão da Justiça. As decisões de Nunes Marques e André Mendonça exigem escrutínio imediato, antes que o dano se torne irreversível.

O perigo mais profundo para a eleição brasileira pode estar onde poucos procuram. Enquanto as plataformas controlam, em segundos, a circulação da informação, o tempo ritualístico da Justiça pode transformar a descoberta de uma interferência em uma sentença tardia e inútil. É nessa engrenagem que as decisões de Kassio Nunes Marques e André Mendonça precisam ser confrontadas com suas consequências reais, sem complacência institucional. A denúncia expõe uma ameaça decisiva à soberania popular: a possibilidade de comprometer a formação da vontade eleitoral sem tocar nas urnas, deixando para depois da votação a investigação de um dano que talvez já não possa ser reparado.

O golpe não precisa tocar nas urnas quando pode sequestrar o tempo da Justiça

Na guerra informacional, o tempo não é uma circunstância secundária. É parte da própria operação. Uma informação indevidamente bloqueada nas horas decisivas de uma eleição não recupera sua audiência quando a Justiça determina seu restabelecimento. Uma mensagem artificialmente amplificada pode alcançar milhões de pessoas antes que sua irregularidade seja demonstrada. O processo judicial segue seu curso, mas a disputa política não espera. A informação possui uma janela de eficácia que nenhuma sentença consegue simplesmente reabrir. É nesse descompasso que pode surgir uma forma particularmente perigosa de interferência eleitoral, aquela que permite produzir o dano antes que existam condições materiais de comprová-lo. A urna permanece intacta, mas as condições em que o eleitor forma sua decisão podem ter sido indevidamente alteradas.

A atuação de Kassio Nunes Marques oferece um caso concreto dessa tensão. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral determinou a suspensão do canal Exército do Lula, teve uma decisão revertida pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva e voltou a impor restrições por ausência de registro eleitoral. Após a regularização, estabeleceu inicialmente 48 horas para a reativação, prazo que dispensou em 14 de outubro ao ordenar o restabelecimento imediato. A reversão não esclareceu o alcance perdido durante as interrupções. Tampouco encerrou a controvérsia. Nesta sexta-feira, 23 de outubro, a campanha de Lula busca impedir judicialmente uma nova suspensão, depois que Nunes Marques exigiu da Meta informações técnicas sobre o canal, atendendo a questionamentos da candidatura de Flávio Bolsonaro. Não há, até esta apuração, confirmação de uma nova derrubada. Mas há uma sucessão documentada de decisões e procedimentos envolvendo um canal que alcançou aproximadamente nove milhões de seguidores às vésperas da votação.

André Mendonça participou de outra iniciativa que expõe a mesma contradição. O ministro elaborou uma........

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