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Lula e a estratégia da soberania contra a falsa pacificação da extrema-direita

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13.03.2026

Quando Washington atacou o Brasil com tarifas, pressões diplomáticas e retórica contra instituições, o país reagiu com unidade e o governo Lula atingiu seu auge de popularidade. Agora, a extrema-direita tenta deslocar o eixo do debate com uma falsa conciliação institucional destinada a tornar Flávio Bolsonaro um candidato aceitável e recolocar o Brasil na órbita da dependência. A resposta estratégica passa por recolocar no centro da disputa aquilo que realmente mobiliza o povo brasileiro: soberania, autodeterminação e liberdade para se desenvolver.

Soberania como eixo da disputa política brasileira

Quando os Estados Unidos passaram a pressionar o Brasil com tarifas, ameaças diplomáticas e ataques retóricos a instituições brasileiras, o país reagiu com algo raro na política contemporânea. Surgiu um sentimento amplo de defesa da soberania nacional. Foi nesse contexto que o governo Lula atingiu seu auge de popularidade no terceiro mandato. Washington criticava o Brasil, setores da extrema-direita reproduziam internamente essa pressão e o conflito se tornava claro para a sociedade. De um lado estava a defesa da autonomia nacional. Do outro, um campo político disposto a alinhar o país aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Agora, diante da reorganização eleitoral da extrema-direita, surge uma nova narrativa. A chamada pacificação institucional. Apresentada como conciliação, ela cumpre uma função muito mais concreta. Reabilitar o bolsonarismo, tornar Flávio Bolsonaro um candidato aceitável e deslocar o eixo do debate para longe do que realmente mobiliza o povo brasileiro. Soberania, autodeterminação e liberdade para se desenvolver.

Esse quadro ajuda a compreender por que a narrativa atual de pacificação não pode ser analisada fora do contexto histórico recente. Durante o governo Jair Bolsonaro, o alinhamento político e diplomático com Washington tornou-se um dos traços mais marcantes da política externa brasileira. Em 2019, o Brasil anunciou a isenção unilateral de vistos para cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, abrindo mão de exigir reciprocidade imediata. No mesmo período, o governo brasileiro apoiou a estratégia norte-americana de isolamento da Venezuela e acompanhou iniciativas diplomáticas lideradas pela Casa Branca na região. Em março daquele ano, Bolsonaro foi recebido por Donald Trump em Washington e o encontro resultou em uma série de compromissos que incluíam cooperação militar ampliada, apoio dos Estados Unidos à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e........

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