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A esquerda precisa parar de torcer e voltar a ler a realidade

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26.02.2026

Um alerta direto sobre por que a base progressista está desorientada no momento mais decisivo da democracia brasileira e quais caminhos concretos podem reorganizar o campo democrático a partir da vida real, do trabalho e da soberania nacional

O choque de realidade

Há um dado que deveria encerrar qualquer espaço para autoengano no campo progressista brasileiro neste momento. As pesquisas mais recentes indicam que, embora o presidente Lula lidere os cenários de primeiro turno, a disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro já se configura como um empate técnico. Em termos concretos, isso significa que a eleição de 2026 não está definida. Ela está aberta, competitiva e sujeita a deslocamentos rápidos em um ambiente político marcado por instabilidade e alta tensão.

Esse ponto, por si só, deveria reorganizar imediatamente a forma como o campo democrático pensa e atua. Mas não é isso que se observa. Uma parte relevante da base progressista se comporta como se a vitória fosse inevitável, sustentando a ideia de que o apoio social já está consolidado a ponto de encerrar a disputa no primeiro turno. Outra parte reage no extremo oposto, tratando o cenário como praticamente perdido e antecipando uma derrota como se fosse um desfecho inevitável.

Nenhuma dessas posições se sustenta diante dos dados disponíveis. Ambas desconsideram a dinâmica concreta da disputa em curso, marcada por polarização intensa, guerra informacional permanente, pressão institucional contínua e um campo adversário que já demonstrou, em diversas ocasiões, capacidade de reorganização mesmo em condições desfavoráveis.

O problema que emerge não é apenas de opinião ou percepção. É um problema de leitura estratégica. Em um momento decisivo, o campo progressista demonstra dificuldade em apreender os sinais mais evidentes do cenário político. E quando uma força política perde essa capacidade, deixa de responder ao mundo como ele é e passa a reagir a projeções, expectativas e desejos.

Esse descompasso entre realidade e interpretação precisa ser enfrentado com urgência. Porque, em 2026, não será a narrativa mais confortável que prevalecerá, mas aquela que estiver ancorada nas condições concretas e for capaz de agir a partir delas.

A crise de leitura do real no campo progressista

O que se observa hoje no campo progressista brasileiro não é apenas divergência política ou pluralidade de opiniões, algo inerente a qualquer ambiente democrático. O que está em curso é uma dificuldade mais profunda: uma crise de leitura estratégica do cenário. Em um contexto marcado por alta complexidade, múltiplas frentes de disputa e transformação acelerada das formas de poder e comunicação, a base progressista apresenta sinais consistentes de desorientação.

Essa desorientação se manifesta, antes de tudo, na ausência de critérios compartilhados para interpretar o que acontece. Falta um referencial comum que permita distinguir entre processos estruturais e episódios circunstanciais, entre tendências que se consolidam e ruídos momentâneos. Como resultado, a percepção do cenário passa a ser construída a partir de fragmentos, impressões e recortes isolados, frequentemente desconectados das condições concretas em que a disputa se desenrola.

Nesse ambiente, a análise tende a ser substituída por posicionamento. Em vez de compreender para intervir, muitos setores passam a reagir de forma imediata, guiados por estados de ânimo, identidade ou pertencimento. Isso não apenas empobrece o debate, mas compromete a capacidade de formular estratégia. A política deixa de ser um campo de interpretação e ação para se tornar um espaço de reafirmação de convicções prévias.

Esse quadro não surge de forma espontânea. Ele é produzido e intensificado por um ambiente comunicacional que premia respostas rápidas, simplificações e certezas absolutas. A lógica dominante favorece conteúdos que confirmam crenças e reforçam identidades, não aqueles que exigem elaboração e nuance. Nesse contexto, a dúvida tende a ser descartada como fraqueza, e a complexidade como obstáculo.

O efeito acumulado é a fragmentação cognitiva do campo progressista. Sem uma leitura minimamente compartilhada, torna-se difícil construir unidade de ação, definir prioridades e sustentar um horizonte estratégico. Cada grupo........

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