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Violência contra a mulher: resposta à perda de poder masculino

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27.04.2026

A cada nova notícia de violência contra mulheres, a reação parece seguir um roteiro curioso: a brutalidade aumenta, mas o espanto diminui. Como se, aos poucos, o absurdo fosse sendo absorvido como parte da paisagem.

E tratar como se fosse é justamente o que impede de entender o que está acontecendo.

A explicação fácil — “crime passional”, “não aceitou o fim”, “perdeu a cabeça” — já não dá conta. Não porque esteja totalmente errada, mas porque é insuficiente. Ela descreve o ato, não o ambiente que o torna possível.

O que está em jogo hoje não é apenas uma crise das relações afetivas. É uma crise de lugar — e também de poder.

Durante muito tempo, a identidade masculina se apoiou em um arranjo relativamente estável: prover, decidir, ocupar o centro. Esse modelo nunca foi neutro, mas era reconhecido. E reconhecimento organiza mais do que renda — organiza a forma como alguém se percebe no mundo.

Esse arranjo vem sendo........

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