O leste alemão e o fantasma de uma nova ruptura
Há algo de particularmente simbólico acontecendo na Alemanha neste início de setembro. No próximo dia 6, os eleitores da Saxônia-Anhalt irão às urnas para escolher o novo parlamento estadual. E, pela primeira vez na história da República Federal, a possibilidade de um governo comandado pela extrema-direita deixou de ser uma hipótese distante. A AfD (Alternativa para a Alemanha), liderada no estado por Ulrich Siegmund, candidato do partido a ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador no Brasil, aparece nas pesquisas com cerca de 40% a 42% das intenções de voto, enquanto a CDU (União Democrata-Cristã), segunda colocada, oscila em torno dos 22% a 23%.
O resultado ainda não está escrito e pesquisas eleitorais são retratos de um momento, não previsões infalíveis, mas o tamanho da vantagem é suficientemente expressivo para que a eleição ultrapasse os limites de uma disputa regional. Uma vitória da AfD na Saxônia-Anhalt teria um significado nacional. A dimensão histórica é ainda maior porque o próprio serviço de proteção à Constituição da Saxônia-Anhalt classifica o diretório estadual da AfD como comprovadamente extremista de direita.
Isso não significa, porém, que o partido seja ilegal. Na Alemanha, essa classificação permite que ele seja observado pelos órgãos de proteção constitucional, mas somente o Tribunal........
