O leite como apito de cachorro
Quando Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema ergueram copos de leite em um brinde durante um encontro político recente, não estavam apenas fazendo uma escolha de bebida. Estavam emitindo um sinal. Um sinal codificado, deliberado e reconhecível por quem precisa reconhecê-lo: as células neonazistas, os grupos de supremacia branca, os extremistas de diversos matizes que habitam as sombras e os grupos de WhatsApp do Brasil profundo. O gesto pode parecer banal a quem não conhece o código. Mas a comunicação política raramente é acidental, e esses três candidatos sabiam exatamente o que estavam fazendo.
O leite, como símbolo político da extrema-direita, não nasceu ontem. Suas raízes estão fincadas no próprio solo do nazismo histórico. O Terceiro Reich cultivava uma estética obsessiva da pureza — racial, alimentar, moral. O leite branco encaixava-se como uma luva nessa iconografia: alimento........
