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O diesel pode faltar — e isso muda a eleição

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16.04.2026

Há momentos em que o mundo deixa de funcionar como estamos acostumados a descrevê-lo. Este é um deles. A guerra no Golfo recoloca a energia no centro da economia global. Durante décadas, aprendemos a interpretar crises como variações de preço — movimentos bruscos, às vezes violentos, mas ainda assim compreensíveis dentro de uma lógica de mercado. O petróleo sobe, o consumo recua, os fluxos se reorganizam, e o sistema, com mais ou menos dor, encontra um novo equilíbrio. Mas agora não. O que se desenha não é apenas uma crise cara. É uma crise que falha.

O bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, somado aos danos à infraestrutura no Golfo Pérsico, deslocou o centro de gravidade do problema. O petróleo bruto continua sendo importante, claro — mas já não é o personagem principal. No centro da cena, quase invisível para quem olha apenas as manchetes, está o diesel. E diesel não é abstração. É o que move caminhões, colheitas, navios, cidades inteiras. Quando ele falta, não é apenas o preço que sobe — é o mundo que desacelera.

Durante muito tempo, acreditou-se que o mercado daria conta de tudo. Se faltasse oferta, o preço subiria; se o preço subisse, alguém produziria mais; e, se alguém produzisse mais, o fluxo se restabeleceria. Era quase uma fé — elegante, matemática, reconfortante. A vida real é diferente. Essa lógica depende de uma condição silenciosa: a infraestrutura precisa estar intacta. E ela não está. Após quarenta dias de bombardeios, os danos ao sistema de refino no Golfo —........

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