Eleições gerais de 2026 sob o império da IA (I)
Lembra da bolinha de papel que atingiu José Serra? Lembra do “gabinete do ódio” tentando comprar software de monitoramento? Aquilo era pirulito no recreio: improviso, ruído, truque de esquina. A guerra de 2026 é outra. Ela não depende de um ato que vira manchete — depende de um encanamento que roda todo dia. Não precisa que você acredite; basta que você duvide. Não precisa vencer o argumento; basta saturar a atenção.
As eleições gerais de 2026 começam assim: não com uma mentira monumental, mas com uma avalanche de pequenas certezas prontas para consumo. Na primeira hora da manhã, antes do café terminar de coar, o país já está de pé — não pelas ruas, mas pela palma da mão.
O celular vibra com a urgência de quem bate na porta. Um vídeo chega no grupo da família. Em seguida, o mesmo vídeo aparece em outro, com uma legenda diferente. Depois, numa terceira versão, alguém “explica” a cena com uma voz segura, paternal, como se estivesse revelando um segredo que só ele teve coragem de dizer em voz alta.
Dez minutos depois, o assunto vira meme. Em meia hora, vira “tendência”. Em uma hora, você já encontra gente reagindo ao vídeo que você ainda nem viu — e gente reagindo à reação do vídeo que você nem teve tempo de checar.
É isso — em escala — que já está acontecendo. Não é que a desinformação tenha nascido agora. O que mudou foi o patamar. O que antes exigia equipe, tempo, orçamento e uma estrutura quase industrial, hoje pode ser feito como se fosse um aplicativo: liga, produz, adapta, dispara. A inteligência artificial entra como quem abaixa o preço do ingresso para um estádio lotado. Ela não inventa a torcida, mas faz a multidão chegar mais rápido — e gritar em coro.
A eleição geral de 2026 deixa de ser apenas a disputa clássica das ideias. Vira algo mais frio e mais difícil de explicar em frases bonitas: uma disputa de infraestrutura. Infraestrutura de atenção, distribuição e velocidade. Quem controla o encanamento por onde as emoções passam.
No começo do........
