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Direita, nem pensar

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Nunca pensei em ser de direita, mesmo quando era criança e essa divisão nem existia assim tão forte em mim. Quando o golpe aconteceu eu era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones, literalmente. Lembro de ainda fazer algumas piadas sobre o bloqueio a Cuba no quadro negro da sala de aula, mas muito mais pelo humor do que pela posição política. Em seguida fui pegando o desvio para a esquerda e logo-logo assumi. O Colégio de Aplicação onde estudei foi o berço de toda a esquerda atuante e brilhante do cenário político brasileiro. Forneceu pensadores, combatentes, intelectuais, guerrilheiros, resistentes e consistentes, fundamentais para a minha formação.

Ser de direita era uma coisa tão absurda, ligada ao que havia de pior na política, que nem quem não era esquerdista se dizia de direita. O inimigo da democracia era muito evidente. A ditadura militar foi tirada de cenário por exigência da sociedade que não aguentava mais aquela opressão. Mas ser de direita continuava sendo impensável. Trabalhei muito tempo na Editora Nova Fronteira com a Carlos Lacerda, clássico........

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