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Lula reconquista as capitais

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O dado mais impressionante da nova pesquisa BTG/Nexus é o crescimento de Lula nas capitais brasileiras. É justamente nas capitais que o presidente apresenta hoje seus melhores números fora dos recortes sociais tradicionalmente mais favoráveis ao campo progressista.

Esse movimento aparece simultaneamente na aprovação do governo, na intenção de voto e na própria identificação política dos eleitores.

A aprovação do trabalho de Lula chega a 55% nas capitais, contra 42% de desaprovação. Curiosamente, é o mesmo patamar que o presidente alcança na intenção de voto, já que vence Flávio Bolsonaro por 55% a 35% num eventual segundo turno nesse mesmo recorte.

No primeiro turno, a distância também é enorme. Lula marca 48% nas capitais, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com apenas 26%, uma vantagem de 22 pontos.

O contraste com o restante do país é forte. Nas regiões metropolitanas, Lula tem 41% contra 37% de Flávio no primeiro turno; no interior, o quadro se inverte, com 37% para Lula e 39% para Flávio.

No segundo turno, Lula ganha de 48% a 44% nas regiões metropolitanas, mas perde de 43% a 48% no interior.

A geografia eleitoral apresentada pela BTG/Nexus, portanto, é bastante nítida. Quanto mais se avança em direção às capitais, melhor é o desempenho de Lula; quanto mais se caminha para o interior, maior é a força relativa do bolsonarismo.

O movimento recente nas capitais também chama atenção. Na pesquisa de 3 de agosto, Lula tinha 49% contra 39% de Flávio num segundo turno entre os moradores das capitais; agora, uma semana depois, os números são 55% a 35%.

A distância entre os dois, que era de dez pontos, passou para vinte.

Na aprovação, o movimento ocorreu na mesma direção. Lula passou de 49% para 55% nas capitais, enquanto a desaprovação oscilou de 43% para 42%.

Essas variações precisam ser observadas com prudência, porque os recortes internos da pesquisa têm margens de erro superiores à margem geral de dois pontos. Ainda assim, a coincidência entre diferentes indicadores reforça a hipótese de uma mudança política real nas grandes cidades.

Uma estimativa ajuda a dimensionar o tamanho desse universo. O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em 2026 e, na amostra da BTG/Nexus, 26% dos entrevistados vivem nas capitais.

Se utilizarmos essa proporção apenas como uma aproximação do tamanho desse eleitorado, estamos falando de algo em torno de 41,3 milhões de eleitores.

Aplicando os percentuais da pesquisa a esse universo hipotético, os 48% de Lula no primeiro turno corresponderiam a cerca de 19,8 milhões de eleitores das capitais, e os 26% de Flávio representariam aproximadamente 10,7 milhões.

No segundo turno, os 55% de Lula equivaleriam a cerca de 22,7 milhões de eleitores, contra aproximadamente 14,4 milhões de Flávio Bolsonaro.

Não são projeções de votos efetivos em outubro. São apenas uma tradução dos percentuais da pesquisa para a dimensão do eleitorado, útil para compreender a escala política do fenômeno.

A classe média volta a olhar para Lula

O crescimento nas capitais é especialmente promissor para Lula porque sugere uma recuperação do diálogo com setores urbanos e de classe média que, durante os últimos anos, foram terreno fértil para o bolsonarismo.

Esse processo, aliás, não começou agora. Os números oficiais do TSE mostram que Lula já vinha reconquistando terreno nas grandes cidades entre 2018 e 2022.

No segundo turno de 2018, Fernando Haddad obteve 40,4% dos votos válidos nas 27 capitais somadas, incluindo o Distrito Federal. Foi um desempenho 4,5 pontos inferior aos 44,9% que o petista fez no país como um todo.

Quatro anos depois, no segundo turno de 2022, Lula alcançou 49,7% dos válidos nas mesmas capitais, contra uma média nacional de 50,9%. A distância em relação ao país, que era de 4,5 pontos, caiu para pouco mais de um, mesmo com o eleitorado das capitais tendo crescido no intervalo.

Se a BTG/Nexus estiver certa, esse eleitorado urbano estaria agora à frente da média nacional na preferência pelo presidente.

São Paulo, a maior cidade do país, ilustra bem a trajetória. Haddad teve 39,6% dos votos válidos na capital paulista no segundo turno de 2018, e Lula chegou a 53,5% no segundo turno de 2022, transformando........

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