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Capitalismo sem povo

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02.06.2026

O neoliberalismo no Brasil aprofundou a expansão do “circuito inferior” da economia e, ao mesmo tempo, reduziu relativamente a capacidade integradora do “circuito superior” produtivo. A modernização neoliberal mostrou-se regressiva, pois sem eliminar o atraso, terminou por expandi-lo, transformando-o em modelo funcional da própria acumulação rentista.

Conforme originalmente evidenciado por Milton Santos, o capitalismo urbano-industrial brasileiro havia construído um núcleo econômico dinâmico e crescente, capaz de absorver parcelas ampliadas da população. Entre as décadas de 1930 e 1980, apesar das enormes desigualdades, o Brasil conseguiu, por meio do avanço do setor industrial, das empresas estatais, da infraestrutura, dos bancos, da administração pública e dos serviços organizados, integrar enormes contingentes da classe trabalhadora ao inédito emprego assalariado com direitos sociais e trabalhistas.

Um novo e moderno “circuito superior” da economia cresceu apoiado na consolidação da nova sociedade urbana e industrial. Simultaneamente, a predominância generalizada do “circuito inferior”, marcada pela subsistência, por pequenos negócios de baixa produtividade, por reduzida modernidade tecnológica e pela oferta de baixos rendimentos aos trabalhadores, foi sendo significativamente contida.

Mas com a inflexão neoliberal dos anos 1990, parte dessa engrenagem superior do circuito econômico do capitalismo brasileiro foi sendo enfraquecida, quando não totalmente desmontada. A abertura comercial acelerada, a desregulação da financeirização, as privatizações, a terceirização, a flexibilização trabalhista e a desindustrialização reduziram a capacidade do setor moderno de gerar emprego de massa com maior produtividade e melhores rendimentos.

O resultado foi paradoxal. A economia nacional........

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