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Lula x Trump: É a geopolítica, estúpido!

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20.09.2026

Flávio Bolsonaro é apenas um proxy do seu pai, Jair Bolsonaro. Tivesse outra ascendência e sobrenome, não seria candidato nem a síndico de barracos controlados pela milícia do Rio de Janeiro. Na Kopenhagen, não passaria de vendedor. Esse sujeito, devido às suas conhecidas (des) qualificações intelectuais, éticas e políticas, não tem a menor condição de ser presidente do Brasil.

Sua eventual vitória significaria, portanto, a volta ao poder de Jair Bolsonaro, um condenado por tentativa de golpe de Estado, um admirador de ditaduras, um aliado das milícias e o grande responsável pela morte de 700 mil brasileiros na pandemia. Significaria eleger, de novo, o pior presidente da história do país.

Jair só se destacou, na política nacional, a partir do lavajatismo e da onda da antipolítica, do antipetismo e do antiesquerdismo que tomou de roldão o país depois do golpe contra a presidente Dilma, com o apoio da extrema-direita dos EUA. Não fosse isso, seu brilho opaco teria ficado restrito, ad aeternum, aos meandros corruptos do baixo clero do Congresso e às ligações perigosas com as milícias do Rio de Janeiro. Essa é a sua real dimensão. A dimensão do mau militar, como definida por Geisel, e a envergadura nanica do pior tipo possível de político.

Mas Jair, por sua vez, é apenas, nas atuais circunstâncias, um proxy de Trump. Temos, assim, dois proxies do real candidato ao poder no Brasil: Donald Trump. Candidato a imperador, diga-se. E a um imperador draconiano, à moda antiga, bem longe da moderação de um Pedro II, por exemplo. Está mais próximo de figuras como Nero ou Calígula, que deixaram marcas indeléveis na história da infâmia mundial.

As revelações, trazidas ao público recentemente, sobre as exigências que Trump apresentou ao governo brasileiro, em outubro de 2025, para negociar o abrandamento das tarifas políticas impostas injustamente ao país, por sugestão do clã Bolsonaro, mostram a extensão e a profundidade da agenda de vassalagem que o candidato a Imperador do Brasil pretende impor ao país.

Destacamos, na tabela a seguir, as principais.

1. O Brasil compromete-se a não adotar nem manter quaisquer restrições à importação de bens remanufaturados.”

É uma demanda simplesmente inacreditável. A norma brasileira, em conformidade com as regras da OMC, proíbe a importação de bens remanufaturados para bens de consumo. Permite apenas, em certas condições, a importação de bens de capital remanufaturados. Saliente-se que cerca de 25% da produção de bens remanufaturados dos EUA vai para o exterior, principalmente para o Canadá e o México, em razão do USMCA (o acordo de livre comércio da América do Norte).

Entre esses bens, destacam-se as autopeças, bens eletrônicos, maquinárias pesadas etc. Obviamente, a abertura do mercado brasileiro para esses bens remanufaturados dos EUA (mais baratos) poderia causar um dano extenso à indústria brasileira.

2. O Brasil deverá eliminar as tarifas sobre etanol, produtos químicos, máquinas, produtos automotivos e bens de alta tecnologia dos EUA.

Trata-se de outra exigência dos EUA que, se atendida, causaria forte dano econômico à indústria brasileira e setores importantes da agroindústria, como o do etanol.........

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