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O Rio de Janeiro tem jeito

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30.06.2026

O Rio de Janeiro já foi um dos principais motores do desenvolvimento brasileiro. Durante décadas, concentrou centros decisórios, infraestrutura estratégica, instituições de pesquisa e um parque industrial que impulsionava a economia nacional. No entanto, esse protagonismo foi sendo perdido. A transferência da capital para Brasília, realizada sem mecanismos de compensação econômica, inaugurou um longo período de perda de dinamismo que jamais foi enfrentado por um projeto consistente de desenvolvimento para o estado.

Os números revelam essa trajetória. Entre 1970 e 2023, a participação do Rio de Janeiro no Produto Interno Bruto nacional caiu de 16,67% para 10,72%, segundo o IBGE. No mercado de trabalho, a situação é igualmente preocupante. Entre 1985 e 2025, o emprego formal cresceu apenas 82,2% no estado, enquanto o crescimento nacional alcançou 192,7%, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Trata-se do menor crescimento entre todas as unidades da federação.

O processo de desindustrialização aprofundou esse cenário. No mesmo período, o emprego formal na indústria de transformação recuou 19,7% no Rio de Janeiro, enquanto cresceu 65,7% no conjunto do país. O estado, que durante muitos anos ocupou a segunda posição nacional em empregos industriais, foi ultrapassado por Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa perda não representa apenas uma mudança estatística. Ela significa menor capacidade de inovação, redução da produtividade, enfraquecimento das cadeias produtivas e menor geração de empregos de qualidade.

A consequência inevitável foi o enfraquecimento da capacidade financeira do Estado. Em 2004, Minas Gerais........

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