Vorcaro ocupa os caminhos que antes levavam a Roma
Antes de frequentar páginas policiais e ocupar incontáveis minutos nos telejornais em horário nobre, tráfico designava comércio, trato, circulação. A palavra veio do italiano traffico e foi mudando de companhia até se instalar entre drogas, armas e pessoas.
Ficou uma ideia antiga: alguém domina o caminho, conhece quem guarda a entrada e transforma essa vantagem em dinheiro. No caso do Banco Master, essa definição ganhou endereço atualíssimo.
Daniel Vorcaro aparece nas investigações cercado por políticos, magistrados, advogados e parentes de autoridades. Surgem contratos, mensagens, jatinhos, hospedagens, camarotes, encontros e pedidos.
O mais grave no caso Master é a capacidade vorcariana de aprofundar rapidamente relações úteis em ambientes onde fiscalização, julgamento e decisões públicas com força de lei acontecem e rendem cifras bilionárias, inclusive em operações envolvendo a compra de banco público.
Nikolas Ferreira procurou Vorcaro para pedir ajuda na liberação de um ativo de minério ligado a um ex-assessor. Disse depois que buscava orientação. O áudio mostra um deputado federal recorrendo a um banqueiro porque acreditava que ele pudesse interceder em uma questão privada. Essa naturalidade diz muito sobre a reputação de influência que Vorcaro construíra. A voz melosa de Nikolas, de alguém que parece ter acabado de acordar, revela muito sobre o nível de intimidade pessoal entre os personagens.
Com Flávio Bolsonaro, a relação ganhou outra musculatura.
A Polícia Federal o........
