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BRICS: uma grande conquista de Bharat para Modi

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Por Leonardo Attuch, de Nova Déli — A Cúpula do BRICS realizada em Nova Déli pode ser vista como uma grande conquista de Bharat para Narendra Modi. Bharat é o nome ancestral e civilizacional da Índia, consagrado também pela Constituição do país — que começa com a expressão “India, that is Bharat” — e cada vez mais utilizado pelo governo Modi para afirmar uma identidade nacional enraizada na própria história indiana. Falar em Bharat, portanto, significa falar de uma Índia que pretende modernizar-se e tornar-se uma grande potência sem renunciar às suas raízes civilizacionais.

A cúpula foi uma conquista para esse projeto não apenas porque a Índia conseguiu conduzir um agrupamento cada vez maior, mais diverso e mais complexo a uma declaração consensual, mas sobretudo porque o encontro revelou uma mudança mais profunda: o crescimento econômico indiano das últimas décadas começa a ser convertido em poder político e capacidade de articulação global.

Desde que Modi chegou ao poder, em 2014, a Índia cresceu, em média, mais de 6% ao ano em termos reais, mesmo atravessando a pandemia. Hoje, o país se apresenta ao mundo não apenas como uma grande economia emergente, mas como uma civilização que reivindica protagonismo na definição das regras internacionais.

É nesse contexto que deve ser compreendido o projeto Viksit Bharat 2047, que estabelece como horizonte a construção de uma Índia desenvolvida no centenário de sua independência.

A escolha da palavra Bharat não é meramente semântica. Ela expressa a tentativa de conectar modernização econômica, desenvolvimento tecnológico, soberania nacional e identidade civilizacional. A Índia que Modi procura projetar para o mundo não pretende simplesmente reproduzir modelos externos de desenvolvimento. Quer modernizar-se permanecendo profundamente indiana.

Do crescimento econômico ao poder global

Esse movimento ficou evidente em Nova Déli. Modi apresentou o Sul Global não como periferia passiva da política internacional, mas como força que deve participar da elaboração das regras.

Sua formulação é poderosa: os países do Sul Global não podem continuar apenas como rule takers, aqueles que recebem e obedecem às regras. Precisam tornar-se rule shapers, participantes da construção dessas regras.

É uma reivindicação que transcende a própria Índia. Modi procura transformar a demanda indiana por maior representação nas instituições internacionais em uma causa mais ampla dos países emergentes.

A mensagem é simples: a estrutura de poder criada depois da Segunda Guerra Mundial já não corresponde à distribuição efetiva de população, riqueza, tecnologia e capacidade produtiva do século XXI.

O BRICS tornou-se um dos principais instrumentos dessa transformação.

Xi e Modi: parceiros, não rivais

Talvez, porém, a imagem mais importante da cúpula tenha sido a aproximação entre Narendra Modi e Xi Jinping.

A presença do presidente chinês em Nova Déli, em sua primeira visita à Índia em sete anos, já seria por si só um acontecimento relevante. Mas o significado político do encontro foi muito maior.

Xi apresentou uma fórmula destinada potencialmente a marcar uma nova etapa das relações entre as duas gigantes asiáticas: China e Índia devem ser........

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