Dilma e Cármen Lúcia: como o feminismo liberal seleciona a sua generosa sororidade
Quem viveu aqueles anos de 2015/2016 com algum mínimo grau de empatia pela presidente Dilma deve se lembrar do completo horror misógino que ecoava pelos quatro cantos da sociedade e que foi institucionalizado.
Seja por uma fala asquerosa de um deputado ali, de uma jornalista da Globo chamando-a de cafona e chucra acolá, de ministros do STF que corriqueiramente a classificavam como nefasta, dos carros adesivados com suas pernas abertas, num dos gestos mais agressivos já presenciados contra uma mulher.
A devassa foi geral, e eu não sei como Dilma, a “Geni”, sobreviveu com saúde mental a todo esse pesadelo de um golpe de Estado. Se bem que quem sobreviveu à tortura das salas úmidas do DOI-CODI sobrevive a qualquer dor.
Anos se passaram, e muitos desses agentes do passado, que inclusive nunca se desculparam por seus ataques cruéis, aprenderam uma palavra fofa, palatável: a tal sororidade. “Nós, mulheres, temos que enfrentar o........
