Reconhecer é o mínimo. Reparar é a verdadeira justiça
Nesta semana, a Organização das Nações Unidas reconheceu o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. A decisão, pouco divulgada, trata-se um marco político e moral que confronta uma das bases da formação do mundo moderno. Ao afirmar a necessidade de reparações, a comunidade internacional admite algo que os povos negros denunciam há séculos. A escravidão não foi um desvio histórico. Foi um projeto estruturado de exploração, violência e acumulação de riqueza.
A votação deixou isso evidente. Foram 123 países favoráveis, apenas 3 contrários e 52 abstenções. O Brasil esteve do lado certo ao apoiar a resolução, destacando que ela abre caminho para direitos humanos, dignidade e reparação. Mas o posicionamento de países como Estados Unidos, Israel e Argentina – que votaram contra -, além da abstenção de potências europeias, revela o desconforto de quem, hipocritamente, aceita homenagens à memória, mas resiste em assumir as consequências materiais de tamanha barbárie.
Não falta base........
