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Herdeiro recebe sobrenome, mas não aprende a carregar a coroa

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14.08.2026

Há heranças que vêm com riquezas e brigas familiares. A de Flávio Bolsonaro veio com algo muito mais valioso na política brasileira, um sobrenome transformado em marca.

Jair Bolsonaro entregou ao filho 01 uma base eleitoral pronta, um movimento político organizado em torno do clã, milhões de seguidores fiéis, símbolos, slogans, mártires, inimigos, uma narrativa de perseguição e até os lugares sagrados da liturgia bolsonarista. A campanha de Flávio não faz questão de esconder a tentativa de sucessão. O senador recupera a estética do pai e o leva simbolicamente para onde quer que vá, chegando a utilizar traços do ex-presidente em material eleitoral. O próprio Jair o escolheu como sucessor.

Era para ser uma transmissão de patrimônio político, mas o caldo está entornando. Porque Flávio Bolsonaro recebeu o sobrenome, mas aparentemente veio sem manual de instruções.

O candidato que pretende convencer o Brasil de que está preparado para administrar o país passou os últimos meses ocupado tentando organizar coisas um pouco mais elementares como sua relação com um banqueiro preso, as explicações sobre milhões destinados a um filme sobre o próprio pai, fantasmas antigos de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, sua filiação partidária e, como cereja do bolo, o próprio currículo.

É uma espécie de vestibular presidencial ao contrário. Quanto mais o candidato tenta apresentar suas credenciais, mais inconsistências aparecem. É como mexer em lixo acumulado, quanto mais se remexe, mais o fedor se espalha.

O caso Banco Master talvez seja o melhor retrato dessa contradição.

Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado pelo Banco Central, tornou-se personagem central de uma investigação gigantesca sobre fraudes financeiras. A Polícia Federal estima em aproximadamente R$ 12 bilhões a fraude relacionada ao banco. Vorcaro foi preso e o caso passou a envolver personagens de diferentes espectros da política brasileira.

É importante fazer essa ressalva porque ninguém precisa transformar Flávio Bolsonaro em responsável pelo rombo do Master para perceber o tamanho do problema político.

O que veio a público já é suficientemente extraordinário. Vamos relembrar.

Segundo reportagem do Intercept posteriormente confirmada em seus aspectos centrais pelo próprio senador, Flávio negociou com Vorcaro um compromisso de financiamento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões à época — para um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador reconheceu que o banqueiro havia concordado em financiar a produção, mas afirmou que se tratava de patrocínio privado para um projeto privado, sem........

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