Exoneração de juiz negro em Rondônia traz à tona o infame grupo “Black List” e o racismo no Poder Judiciário
A exoneração do juiz substituto Robson José dos Santos, do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), ultrapassa os limites de um simples processo administrativo disciplinar. O caso recoloca no centro do debate nacional um episódio pouco esclarecido até hoje: a existência, dentro da própria corte, de um grupo de servidores chamado “Black List”, investigado em 2022 por manifestações racistas e hostilidade às políticas de cotas raciais.
Mais do que uma coincidência temporal, a conexão entre os episódios expõe um ambiente institucional marcado por tensões raciais profundas e por resistências à presença de pessoas negras nos espaços historicamente ocupados pelas elites brancas do sistema de Justiça brasileiro.
O nome “Black List” por si só já carrega um simbolismo perturbador. Embora o termo seja frequentemente utilizado em inglês como referência a listas de exclusão ou boicote, sua utilização em um contexto de hostilidade contra cotistas negros dentro do Judiciário inevitavelmente remete à tradição da supremacia branca que marcou a história dos Estados Unidos.
Durante décadas, organizações racistas norte-americanas, como a Ku Klux Klan, utilizaram mecanismos de perseguição social, política e econômica contra negros recém-integrados a espaços de poder após a abolição da escravidão.
A ideia de “listas negras” esteve associada à identificação de indivíduos considerados “indesejáveis” pela ordem racial dominante — muitas vezes antecedendo perseguições, exclusões institucionais e violência física.
Recentemente, no Brasil, um assessor de........
