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A manhã ainda precisa de nós

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24.10.2026

“Um galo sozinho não tece uma manhã:ele precisará sempre de outros galos.”

João Cabral de Melo Neto, Tecendo a manhã

Há algo de profundamente belo na reação popular que atravessa este segundo turno. As ruas se encheram de gente, as redes ganharam o movimento de uma praça imensa, e a campanha de Lula passou a reunir vozes que se procuram, se reconhecem e se encorajam. Em um país tantas vezes levado a desconfiar de si mesmo, essa capacidade de reencontro tem uma força que merece ser compreendida.

A beleza está nessa disposição de sair do isolamento e fazer alguma coisa junto. Uma presença se soma a outra. Uma mensagem encontra quem estava calado. A coragem de alguém ajuda outra pessoa a vencer o desalento. Aos poucos, o que parecia uma inquietação solitária ganha a dimensão de uma vontade coletiva.

É assim que um povo se torna autor da própria história. Ao ocupar as ruas e disputar as redes, ele põe em circulação sua memória, seus desejos e sua recusa em entregar o futuro. A campanha ganha uma energia que depende de cada participante e que nenhum comando, sozinho, consegue produzir.

Essa alegria carrega uma responsabilidade. Restam horas decisivas, e toda essa presença precisa chegar à urna. O entusiasmo deve nos aproximar de quem ainda está distante, dar persistência à conversa difícil e ajudar a transformar a esperança em votação. A manhã que começa a clarear exige trabalho até o fim.

O que está em jogo alcança o futuro do Brasil e a capacidade de resistência da democracia em um mundo pressionado pela ultradireita. Uma derrota democrática brasileira teria consequências muito além de nossas fronteiras. Por seu tamanho e por sua influência, o país ocupa um lugar decisivo nessa disputa internacional.

A memória recente impõe atenção. O Brasil atravessou uma tentativa de impedir a alternância de poder e assistiu à violência de 8 de janeiro. Houve uma ofensiva concreta contra a vontade popular e a........

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