A política e o pragmatismo desvirtuado
Dois autores de referência no pensamento ocidental partem de premissas fundamentais para compreender o poder e a política. Aristóteles, cerca de 350 anos antes da era cristã, já afirmava que o ser humano é, por natureza, um ser social. Para ele, por decisão voluntária ou por necessidade, homens e mulheres tendem a viver em comunidade — daí a consagrada ideia do homem como “animal político”.
Dois milênios depois, Norberto Bobbio reforça essa compreensão ao sustentar que a política é uma necessidade inerente à condição humana. Defensor da democracia como o melhor instrumento para a composição das diferenças, Bobbio advertia que desigualdades extremas são incompatíveis com regimes democráticos. E deixou um alerta que ressoa de forma inquietante: “a tendência natural do Estado é ocultar-se”.
A organização dos povos em cidades — das antigas pólis às modernas metrópoles — decorre dessa........
