Putin e Xi selam aliança tecnológica
Em 20 de maio de 2026, o presidente russo Vladimir Putin e o líder chinês Xi Jinping assinaram em Pequim uma extensa declaração conjunta que aprofunda o que ambos chamam de “parceria abrangente e interação estratégica em nova era”. O documento, divulgado pelo Kremlin e repercutido pela imprensa especializada em cibersegurança, é o mais ambicioso plano tecnológico já formalizado pelos dois países e mira o que ambos consideram um excesso de poder ocidental sobre infraestrutura digital, satélites e inteligência artificial.
A cúpula marcou o 30º aniversário da parceria estratégica China-Rússia e o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre os dois países. Ao todo, foram assinados 20 documentos na cerimônia oficial, parte de um pacote total de cerca de 40 acordos intergovernamentais, interagências e corporativos em áreas como economia, tecnologia, energia e defesa.
Mais do que um gesto político, trata-se de um roteiro pragmático para construir, ao longo dos próximos anos, uma cadeia de tecnologia paralela à dos Estados Unidos e da Europa. E pode servir de bússola para os demais países sobre os rumos da soberania digital em seu próprio território.
Os principais acordos tecnológicos
O capítulo espacial é um dos mais concretos. Rússia e China oficializaram um Roteiro de Cooperação em Navegação Satelital 2026–2030, que prevê a interoperabilidade plena entre os sistemas GLONASS (russo) e BeiDou (chinês) para usuários no mundo todo. Na prática, dispositivos civis e militares passarão a operar de forma intercambiável entre as duas constelações, reduzindo a dependência global do GPS estadunidense.
Além disso, os dois países pactuaram coordenação sobre radiofrequências, órbitas e tecnologias de internet via satélite — segmento dominado hoje pela Starlink, de Elon Musk. O documento menciona também cooperação em Internet das Coisas e a continuidade da Estação Científica Lunar Internacional, projeto conjunto que rivaliza diretamente com o programa Artemis.
No plano estratégico, a declaração condena o projeto antimíssil dos Estados Unidos “Golden Dome”, classificando-o como gatilho para a militarização do espaço.
Governança da internet
O texto consagra uma doutrina que vinha sendo construída há anos: a soberania do espaço informacional. Moscou e Pequim defendem que cada Estado tenha autoridade ampla sobre seu ambiente digital doméstico e propõem normas internacionais juridicamente vinculantes sob a guarida da ONU para segurança de dados, comportamento responsável dos Estados na internet e........
