Antes da próxima morte: quem tem coragem de disputar a segurança pública?
Bento, 12 anos, brincava. Mais uma vítima da bala “perdida” — “achada”. Sua existência é uma aberração político-institucional que virou banalidade no Rio. Analisei esse fenômeno em artigo publicado no Brasil 247, intitulado “Bala perdida ou bala achada no Rio de Janeiro: uma aberração político-institucional rotineira”. Uma vergonha naturalizada em um Estado que mata, deixa matar e deixa morrer. E isso porque tem sido lucrativo, financeira e eleitoralmente, promover a insegurança como política pública.
Bento. Mais uma “camiseta da saudade” a registrar a dor mais que doída da perda irreparável, cravada em uma memória coletiva violentada a cada nova ocorrência que traz mais um luto para a sua prateleira de desalento. Bento morto! Diante do silêncio covarde de quem aplaude a guerra contra o crime. Diante da impostura de políticos que performam pautas oportunistas de segurança. E diante da desonestidade intelectual de “espertalistas” que vendem falsos........
